Na semana em que os olhos do mundo se voltam para o Rio de Janeiro, onde teve início a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, o tema sustentabilidade também tem sido discutido em Cuiabá (MT), durante o VI Congresso Brasileiro de Soja.
Nesta quarta-feira, terceiro dia de evento, os impactos da mudança climática na agricultura brasileira foram apresentados em uma palestra.
Com auditório lotado, o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Assad, mostrou como o aquecimento do planeta afetará a produção agrícola em diferentes regiões do Brasil, caso não sejam tomadas medidas para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.
Segundo Assad, nos últimos 100 anos a temperatura da terra se elevou em cerca de 0,8°C e a projeção é de que até 2100 este número possa chegar a 2° C. Com isto, o nível dos oceanos se elevará, aumentará a quantidade de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e reduzirá na região Nordeste, além de parte da Floresta Amazônica ser substituída por uma vegetação de savana.
Com estas mudanças, Assad alerta para os efeitos sobre o panorama agrícola no país.
“A agricultura brasileira vai ser atingida positivamente e negativamente. Algumas culturas serão mais atingidas do ponto de vista positivo, como cana-de-açúcar e trigo no Sul. A soja será negativamente atingida no Sul e no Centro-Oeste será mais positivo. No balanço geral tem perdas se continuar do jeito que está. O que nós temos de fazer é nos adaptar a isto”, alerta o pesquisador.
Diante deste cenário, as pesquisas para o desenvolvimento de cultivares adaptadas se faz essencial, como já ocorre com o feijão, em que o Instituto Agronômico do Paraná desenvolveu cultivares que não abortam flor com o aumento da temperatura. “Estamos trabalhando muito para reverter este processo. Como vamos ter plantas que sejam mais tolerantes a este tipo de situação, com ondas de calor, ondas de frio, abortamento de flores. A Embrapa Soja está trabalhando com uma soja mais tolerante à deficiência hídrica. São dez anos para se chegar nesta soja. O importante é que você faça o alerta e diga: estamos vulneráveis neste ponto. Vamos trabalhar para nos adaptar”, disse o pesquisador que acredita estar na biodiversidade do cerrado boa parte das respostas para a adaptação das espécies agricultáveis.
Assad ainda destacou a importância de se adotar boas práticas agropecuárias, não só para contribuir com a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, mas também para minimizar os impactos da mudança climática nas lavouras. “Exemplos extremos como a seca deste ano no Sul do Brasil mostram que a adoção de boas práticas agrícolas minimizam as perdas. Seguindo estas boas práticas podemos resolver muitos de nossos problemas”, afirma.
Durante sua palestra, Eduardo Assad ainda mostrou a posição de vanguarda que o Brasil assume neste processo, não só com o desenvolvimento de pesquisas agropecuárias que serão adaptáveis a uma extensa faixa produtiva no globo terrestre, mas também com atitudes para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Como exemplo, citou os mais de 900 milhões de toneladas de carbono que o país deixou de emitir nos dois últimos anos somente com dois dos dez planos setoriais criados para atingir a meta de redução de emissões assumida pelo governo brasileiro.
A discussão sobre mudanças climáticas e sustentabilidade é parte importante do VI Congresso Brasileiro de Soja, que nesta edição tem como tema “Soja: integração nacional e desenvolvimento sustentável”. O evento, que começou no dia 11, se encerra nesta quinta-feira e é promovido e realizado pela Embrapa Soja, com corealização da Aprosoja. Mais informações no site www.cbsoja.com.br.
Gabriel Faria (mtb 15624/MG JP) - Embrapa Agrossilvipastoril, gabriel.faria@embrapa.br
Carina Gomes (MTb 3914-PR) - Núcleo de Comunicação Organizacional Embrapa Soja
Dulce Mazer (MTb 8775-PR) - Assessoria de Imprensa - CB Soja
Telefones: (43) 3371-6061 / 9994 2271 (65) 4052 9281 (65) 4052 9281
(Sala de imprensa durante o Congresso)
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