terça-feira, 1 de março de 2016

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/02/nivel-do-mar-pode-subir-ate-1-metro-e-30-centimetros-ate-o-ano-de-2100.html?utm_source=googleplus&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar

Aquecimento

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mudanças no clima do Brasil até 2100

http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/documentos/MCTI_PBMC_Sumario%20Executivo%204_Finalizado.pdf
 
O clima no Brasil nas próximas décadas deverá ser mais quente – com aumento gradativo e variável da temperatura média em todas as regiões do país entre 1 ºC e 6 ºC até 2100, em comparação à registrada no fim do século 20.

No mesmo período, também deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

As conclusões são do primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), cujo sumário executivo foi divulgado durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima). O evento, realizado de 9 a 13 de setembro em São Paulo, foi organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC).

De acordo com o relatório, tendo em vista que as mudanças climáticas e os impactos sobre as populações e os setores econômicos nos próximos anos não serão idênticos em todo o país, o Brasil precisa levar em conta as diferenças regionais no desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação e de políticas agrícolas, de geração de energia e de abastecimento hídrico para essas diferentes regiões.

Dividido em três partes, o Relatório 1 – em fase final de elaboração – apresenta projeções regionalizadas das mudanças climáticas que deverão ocorrer nos seis diferentes biomas do Brasil até 2100, e indica quais são seus impactos estimados e as possíveis formas de mitigá-los.

As projeções foram feitas com base em revisões de estudos realizados entre 2007 e início de 2013 por 345 pesquisadores de diversas áreas, integrantes do PBMC, e em resultados científicos de modelagem climática global e regional.

“O Relatório está sendo preparado nos mesmos moldes dos relatórios publicados pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], que não realiza pesquisa, mas avalia os estudos já publicados”, disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador do encontro.

“Depois de muito trabalho e interação, chegamos aos resultados principais dos três grupos de trabalho [Bases científicas das mudanças climáticas; Impactos, vulnerabilidades e adaptação; e Mitigação das mudanças climáticas]”, ressaltou.

Principais conclusões

Uma das conclusões do relatório é de que os eventos extremos de secas e estiagens prolongadas, principalmente nos biomas da Amazônia, Cerrado e Caatinga, devem aumentar e essas mudanças devem se acentuar a partir da metade e no fim do século 21.

A temperatura na Amazônia deverá aumentar progressivamente de 1 ºC a 1,5 ºC até 2040 – com diminuição de 25% a 30% no volume de chuvas –, entre 3 ºC e 3,5 ºC no período de 2041 a 2070 – com redução de 40% a 45% na ocorrência de chuvas –, e entre 5 ºC a 6 ºC entre 2071 a 2100.

Enquanto as modificações do clima associadas às mudanças globais podem comprometer o bioma em longo prazo, a questão atual do desmatamento decorrente das intensas atividades de uso da terra representa uma ameaça mais imediata para a Amazônia, ponderam os autores do relatório.

Os pesquisadores ressaltam que estudos observacionais e de modelagem numérica sugerem que, caso o desmatamento alcance 40% na região no futuro, haverá uma mudança drástica no padrão do ciclo hidrológico, com redução de 40% na chuva durante os meses de julho a novembro – o que prolongaria a duração da estação seca e provocaria o aquecimento superficial do bioma em até 4 ºC.

Dessa forma, as mudanças regionais decorrentes do efeito do desmatamento se somariam às provenientes das mudanças globais e constituíram condições propícias para a savanização da Amazônia – problema que tende a ser mais crítico na região oriental, ressaltam os pesquisadores.

“As projeções permitirão analisar melhor esse problema de savanização da Amazônia, que, na verdade, percebemos que poderá ocorrer em determinados pontos da floresta, e não no bioma como um todo, conforme previam alguns estudos”, destacou Tércio Ambrizzi, um dos autores coordenadores do sumário executivo do grupo de trabalho sobre a base científica das mudanças climáticas.

A temperatura da Caatinga também deverá aumentar entre 0,5 ºC e 1 ºC e as chuvas no bioma diminuirão entre 10% e 20% até 2040. Entre 2041 e 2070 o clima da região deverá ficar de 1,5 ºC a 2,5 ºC mais quente e o padrão de chuva diminuir entre 25% e 35%. Até o final do século, a temperatura do bioma deverá aumentar progressivamente entre 3,5 ºC e 4,5 ºC  e a ocorrência de chuva diminuir entre 40% e 50%. Tais mudanças podem desencadear o processo de desertificação do bioma.

Por sua vez, a temperatura no Cerrado deverá aumentar entre 5 ºC e 5,5 ºC e as chuvas diminuirão entre 35% e 45% no bioma até 2100. No Pantanal, o aquecimento da temperatura deverá ser de 3,5ºC a 4,5ºC até o final do século, com diminuição acentuada dos padrões de chuva no bioma – com queda de 35% a 45%.

no caso da Mata Atlântica, como o bioma abrange áreas desde a região Sul do país, passando pelo Sudeste e chegando até o Nordeste, as projeções apontam dois regimes distintos de mudanças climáticas.

Na porção Nordeste deve ocorrer um aumento relativamente baixo na temperatura – entre 0,5 ºC e 1 ºC – e decréscimo nos níveis de precipitação (chuva) em torno de 10% até 2040. Entre 2041 e 2070, o aquecimento do clima da região deverá ser de 2 ºC a 3 ºC, com diminuição pluviométrica entre 20% e 25%. Já para o final do século – entre 2071 e 2100 –, estimam-se condições de aquecimento intenso – com aumento de 3 ºC a 4 ºC na temperatura – e diminuição de 30% a 35% na ocorrência de chuvas.

Nas porções Sul e Sudeste as projeções indicam aumento relativamente baixo de temperatura entre 0,5 ºC e 1 ºC até 2040, com aumento de 5% a 10% no número de chuva. Entre 2041 e 2070 deverão ser mantidas as tendências de aumento gradual de 1,5 ºC a 2 ºC na temperatura e de 15% a 20% de chuvas.

Tais tendências devem se acentuar ainda mais no final do século, quando o clima deverá ficar entre 2,5 ºC e 3 ºC mais quente e entre 25% e 30% mais chuvoso.

Por fim, para o Pampa, as projeções indicam que até 2040 o clima da região será entre 5% e 10% mais chuvoso e até 1 ºC mais quente. Já entre 2041 e 2070, a temperatura do bioma deverá aumentar entre 1 ºC e 1,5 ºC  e haverá uma intensificação das chuvas entre 15% e 20%. As projeções para o clima da região no período entre 2071 e 2100 são mais agravantes, com aumento de temperatura de 2,5 ºC a 3 ºC e ocorrência de chuvas entre 35% e 40% acima do normal.

“O que se observa, de forma geral, é que nas regiões Norte e Nordeste do Brasil a tendência é de um aumento de temperatura e de diminuição das chuvas ao longo do século”, resumiu Ambrizzi.
“Já nas regiões mais ao Sul essa tendência se inverte: há uma tendência tanto de aumento da temperatura – ainda que não intenso – e de precipitação”, comparou.

Impactos e adaptação

As mudanças nos padrões de precipitação nas diferentes regiões do país, causadas pelas mudanças climáticas, deverão ter impactos diretos na agricultura, na geração e distribuição de energia e nos recursos hídricos das regiões, uma vez que a água deve se tornar mais rara nas regiões Norte e Nordeste e mais abundante no Sul e Sudeste, alertam os pesquisadores.

Por isso, será preciso desenvolver ações de adaptação e mitigação específicas e rever decisões de investimento, como a construção de hidrelétricas nas regiões leste da Amazônia, onde os rios poderão ter redução da vazão da ordem de até 20%, ressalvaram os pesquisadores.

“Essas variações de impactos mostram que qualquer tipo de estratégia planejada para geração de energia no leste da Amazônia está ameaçada, porque há uma série de fragilidades”, disse Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Dará para contar com água. Mas até quando e onde encontrar água nessas regiões são incógnitas”, disse o pesquisador, que é um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 2 do relatório, sobre Impactos, vulnerabilidades e adaptação.

De acordo com Assad, é muito caro realizar ações de adaptação às mudanças climáticas no Brasil em razão das fragilidades que o país apresenta tanto em termos naturais – com grandes variações de paisagens – como socioeconômicas.

“A maior parte da população brasileira – principalmente a que habita as regiões costeiras do país – está vulnerável aos impactos das mudanças climáticas. Resolver isso não será algo muito fácil”, estimou.

Entre os setores econômicos do país, segundo Assad, a agricultura é um dos poucos que vêm se adiantando para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.

“Já estamos trabalhando com condições de adaptação há mais de oito anos. É possível desenvolver cultivares tolerantes a temperaturas elevadas ou à deficiência hídrica [dos solos], disse Assad.

O pesquisador também ressaltou que os grupos populacionais com piores condições de renda, educação e moradia sofrerão mais intensamente os impactos das mudanças climáticas no país. “Teremos que tomar decisões rápidas para evitar que tragédias aconteçam.”

Mitigação

Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília (UnB), e uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho 3, sobre Mitigação das Mudanças Climáticas, apresentou uma síntese de estudos e pesquisas sobre o tema, identificando lacunas do conhecimento e direcionamentos futuros em um cenário de aquecimento global.

Bustamante apontou que a redução das taxas de desmatamento entre 2005 e 2010 – de 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente para 1,25 bilhão de toneladas – já teve efeitos positivos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes do uso da terra.

“As emissões decorrentes da geração de energia e da agricultura, no entanto, aumentaram em termos absolutos e relativos, indicando mudanças no perfil das emissões brasileiras”, disse.

Mantidas as políticas atuais, a previsão é de que as emissões decorrentes dos setores de energia e de transportes aumentem 97% até 2030. Será preciso mais eficiência energética, mais inovação tecnológica e políticas de incentivo ao uso de energia renovável para reverter esse quadro.

Na área de transporte, as recomendações vão desde a transformação de um modal – fortemente baseado no transporte rodoviário – e o uso de combustíveis tecnológicos. “É preciso transferir do individual para o coletivo, investindo, por exemplo, em sistemas aquaviários e em veículos elétricos e híbridos”, ressaltou Bustamante.

O novo perfil das emissões de GEE revela uma participação crescente do metano – de origem animal – e do óxido nitroso – relacionado ao uso de fertilizantes. “Apesar desses resultados, a agricultura avançou no desenvolvimento de estratégias de mitigação e adaptação”, ponderou.

Para a indústria, responsável por 4% das emissões de GEE, a lista de recomendações para a mitigação passa pela reciclagem, pela utilização de biomassa renovável, pela cogeração de energia, entre outros.

As estratégias de mitigação das mudanças climáticas exigem, ainda, uma revisão do planejamento urbano de forma a garantir a sustentabilidade também das edificações de forma a controlar, por exemplo, o consumo da madeira e garantir maior eficiência energética na construção civil.

Informação para a sociedade

Os pesquisadores participantes da redação do relatório destacaram que, entre as virtudes do documento, está a de reunir dados de estudos científicos realizados ao longo dos últimos anos no Brasil que estavam dispersos e disponibilizar à sociedade e aos tomadores de decisão informações técnico-científicas críveis capazes de auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adaptação e mitigação para os possíveis impactos das mudanças climáticas.

“Nós, cientistas, temos o desafio de conseguir traduzir a seriedade e a gravidade do momento e as oportunidades que as mudanças climáticas globais encerram para a sociedade. Sabemos que a inação representa a ação menos inteligente que a sociedade pode tomar”, disse Paulo Nobre, coordenador da Rede Clima.

Por sua vez, Celso Lafer, presidente da FAPESP, destacou, na abertura do evento, que a Fundação tem interesse especial nas pesquisas sobre mudanças climáticas, expresso no Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), mantido pela instituição.

“Uma das preocupações básicas da FAPESP é pesquisar e averiguar o impacto das mudanças climáticas globais naquilo que afeta as especificidades do Brasil e do Estado de São Paulo”, afirmou.
Também participaram da abertura do evento Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Paulo Artaxo, membro da coordenação do PFPMCG.

Carlos Nobre ressaltou que o relatório será a principal fonte de informações que orientará o Plano Nacional de Mudanças Climáticas que, no momento, está em revisão.

“É muito importante que os resultados desse estudo orientem os trabalhos em Brasília e em várias partes do Brasil, em um momento crítico de reorientar a política nacional, que tem de ir na direção de tornar a economia, a sociedade e o ambiente mais resilientes às inevitáveis mudanças climáticas que estão por vir”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil já sinalizou compromisso com a mitigação, materializado na Política Nacional de Mudanças Climáticas e que prevê redução de 10% e 15% das emissões entre 2010 e 2020, respectivamente, relativamente a 2005.

“São Paulo lançou, em 2009, um programa ambicioso, de redução de 20% das emissões, já que a questão da mudança no uso da terra não é uma questão tão importante no Estado, mas sim o avanço tecnológico na geração de energia e em processos produtivos. O Brasil é o único país em desenvolvimento com metas voluntárias para redução de emissões”.

Ele ressaltou, entretanto, que “a adaptação ficou desassistida”. “Não é só mitigar; é preciso também se adaptar às mudanças climáticas. As três redes de pesquisa – Clima, INCT e FAPESP – avançam na adaptação, que é o guia para o desenvolvimento sustentável.”

* Colaboraram Claudia Izique e Noêmia Lopes
Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cai risco de desastres climáticos no NE

por Clarice Sá - iG São Paulo. Publicada em 12/01/2014


O avanço do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em áreas do Nordeste do Brasil diminuiu o risco de tragédias provocadas por mudanças climáticas previstas para a região até o final deste século, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A pesquisa cruza informações de densidade demográfica do History Database of the Global Enviromental (Hyde), projeções climáticas até o ano de 2100 do quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

A associação entre os dados deu origem ao Índice de Vulnerabilidade Socioclimática (IVSC), que indica áreas onde as populações estão mais suscetíveis a desastres, tendo em vista as alterações no clima previstas até o final deste século. O infográfico mostra a variação entre os dados da primeira versão do estudo, publicada em 2012, e da atualizada, concluída no fim de 2013 - em fase preliminar de análise. A escala é composta de cores contínuas, do azul ao vermelho. Não há unidades estabelecidas, mas uma base de comparação relativa de uma região com a outra.

O gráfico considera indicadores sociais de 2000 e projeções climáticas de 2005. As áreas vermelhas, consideradas altamente vulneráveis, predominam no Nordeste. No gráfico à direita, parte dos pontos vermelhos dá lugar a áreas em azul e amarelo, com risco menor de desastres. Esta mudança reflete a o crescimento maior do IDHM no Nordeste em comparação com o Sul e o Sudeste. Na região nordestina, a menor taxa de crescimento do IDHM foi de 24% (PE e RN) e a maior, 34% (MA e AL). No Sul e Sudeste, o maior avanço foi de 17%, registrado em Minas Gerais.

No entanto, apesar do aumento, os Estados nordestinos ainda ocupam as piores posições no ranking nacional do IDHM. O melhor colocado é o Rio Grande do Norte, em 16º, com índice de 0,684. O pior é Alagoas, último da lista, em 27º, com 0,631. Na análise por cidades, a melhor colocada entre as nordestinas é Fernando de Noronha (PE), com IDH de 0,788. A segunda é São Luís (MA), em 249º, com 0,768. A escala do IDHM varia de 0 a 1. Um IDHM de 0,6 a 0,699 é considerado médio. De 0,7 a 0,799, alto, e de 0,8 a 1, muito alto. O cálculo leva em conta dados de escolaridade, longevidade e renda.

O Índice de Vulnerabilidade Socioclimática serve para indicar áreas prioritárias para a adoção de políticas públicas de longo prazo contra possíveis desastres. “É difícil fazer uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas durante algumas décadas, sendo que temos políticas de governo de quatro em quatro anos. Ninguém pensa 30, 40 ou 50 à frente. Isso talvez explique porque não há uma política nacional de adaptação às alterações climáticas”, pondera o ecólogo David Laporta, coordenador do estudo.

Segundo ele, os países podem ser classificados em dois grupos básicos nas análises de vulnerabilidade às mudanças climáticas: os pobres, onde as perdas são contadas em vidas humanas, e os ricos, onde estas perdas são contadas em dólares. Para exemplificar, Lapola compara as perdas provocadas pelo Furacão Katrina, na cidade americana de Nova Orleans, onde o impacto econômico foi intenso, ao Tufão Hayan, que atingiu as Filipinas no fim do ano passado e provocou uma catástrofe humanitária.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Impacto das enchentes no Acre

Série especial da TV CAMARA sobre Enchentes chega ao Acre para mostrar efeitosdas chuvas do início do ano na região

A série especial Enchentes continua seu giro pelo Brasil afetado pelas cheias. Nesta semana, a gente vai mostrar os estragos causados pelas chuvas no Acre. Em 2012, foram mais de cem mil atingidos só na capital, Rio Branco.




quinta-feira, 28 de março de 2013

Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas


 
O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura - Plano ABC é um dos planos setoriais elaborados de acordo com o artigo 3° do Decreto n° 7.390/2010 e tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo país.

O Plano ABC é composto por sete programas, seis deles referentes às tecnologias de mitigação, e ainda um último programa com ações de adaptação às mudanças climáticas:

• Programa 1: Recuperação de Pastagens Degradadas;

• Programa 2: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs);

• Programa 3: Sistema Plantio Direto (SPD);

• Programa 4: Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN);

• Programa 5: Florestas Plantadas;

• Programa 6: Tratamento de Dejetos Animais;

• Programa 7: Adaptação às Mudanças Climáticas.

A abrangência do Plano ABC é nacional e seu período de vigência é de 2010 a 2020, sendo previstas revisões e atualizações em períodos regulares não superiores há dois anos, para readequá-lo às demandas da sociedade, às novas tecnologias e incorporar novas ações e metas, caso se faça necessário.

Para o alcance dos objetivos traçados pelo Plano ABC, no período compreendido entre 2011 e 2020, estima-se que serão necessários recursos da ordem de R$ 197 bilhões, financiados com fontes orçamentárias ou por meio de linhas de crédito.

O Plano ABC conta com uma de linha de crédito – Programa ABC – aprovada pela Resolução BACEN nº 3.896 de 17/08/10.
 
Para mais informações consulte o item Financiamento no site do Ministério da Agricultura

Saiba mais AQUI

PL insere mudanças climáticas e biodiversidade na Educação Ambiental

Márcio Macêdo apresenta PL que insere mudanças climáticas e biodiversidade na Educação Ambiental

Por Valter Lima, Plenário, 28/03/2013

Com o objetivo de inserir o debate sobre as mudanças climáticas e a proteção da biodiversidade brasileira, o deputado federal Márcio Macêdo (PT) apresentou nesta quarta-feira (27) projeto que altera a lei 9.795/99, que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental.

Pela proposta, tornam-se objetivos fundamentais da educação ambiental o estímulo à participação individual e coletiva e o desenvolvimento de instrumentos e metodologias nas ações de prevenção, mitigação e adaptação relacionadas às mudanças do clima, assim como de controle da perda da biodiversidade, além da inserção de temas ligados às mudanças do clima e a biodiversidade nos projetos pedagógicos da Educação Básica e Superior e o incentivo do poder público na sensibilização da sociedade para estas questões.

Gostaria de chamar atenção, para a necessidade desta Casa voltar-se para as questões da sustentabilidade, em especial da atenção à natureza, nosso uso e convívio com ela. O projeto de lei, ainda, faz parte do conjunto de ajustes da Política Nacional de Educação ambiental e tem em vista assegurar atenção à biodiversidade, afirmou o parlamentar em discurso no plenário da Câmara.

Ele ressaltou ainda que a educação ambiental será fundamental para a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que trata tanto das ações na área de biodiversidade e florestas (agenda verde), quanto das ações referentes ao controle da poluição e à questão ambiental urbana (agenda marrom). O caráter transversal do olhar sob a questão das mudanças climáticas é imprescindível no âmbito educacional seja no ensino formal, ou em processos de sensibilização da coletividade, disse.

Márcio Macêdo ainda reiterou que um país diverso como o Brasil não deve deixar de pensar e proteger a sua biodiversidade. O foco na proteção da biodiversidade reforça a perspectiva integradora da questão ambiental. O olhar cuidadoso com relação a esse tema é uma obrigação em um país megadiverso como o nosso, afirmou. O território brasileiro abriga entre 15% e 20% de toda a biodiversidade do planeta e o maior número de espécies endêmicas, a maior floresta tropical (a Amazônia) e dois dos dezenove biomas que conjugam alto índice de espécies endêmicas com alto grau de ameaça pela atividade humana (a Mata Atlântica e o Cerrado).

quarta-feira, 27 de março de 2013

Grandes companhias incentivam fornecedores a analisar seus impactos no clima

por EcoDesenvolvimento.org, 27/03/2013

Suzano Papel e Celulose afirma que seus fornecedores internalizaram o tema e hoje reconhecem a importância de trabalhar a gestão de emissões e governança climática em suas empresas. Foto: Paulo Barros

Um total de 38% de fornecedores de grandes empresas brasileiras acreditam que os impactos das mudanças climáticas nos negócios já podem ser sentidos ou começarão a ser percebidos nos próximos cinco anos – fato associado diretamente ao aumento no custo de operação e a redução da capacidade de produção.

Este é apenas um dos dados que o programa CDP Supply Chain Brasil 2012 trouxe à discussão na terça-feira, 26 de março, durante um evento na BM&F Bovespa, em São Paulo. A iniciativa é realizada pelo CDP, organização não governamental internacional que atua junto a investidores e empresas de todo o mundo para prevenir às mudanças climáticas e proteger os recursos naturais por meio da alocação eficiente de capital.

O CDP Supply Chain Brasil faz parte de um programa global que permite que grandes empresas compradoras questionem e engajem suas cadeias de fornecimento a implementar estratégias para mitigar às mudanças climáticas.

Fernando Figueiredo, diretor do CDP Brasil: "Sabemos que a cadeia de fornecimento é responsável diretamente pelo resultado de uma empresa". Foto: Divulgação

Da porção global do programa, baseado em dados de 2.415 empresas, incluindo 2.363 fornecedores e 52 grandes empresas compradoras com poder de compra combinado de aproximadamente US$ 1 trilhão, foram extraídas as respostas dos 202 fornecedores brasileiros abordados por sete grandes compradores que são membros do programa no país: AES Eletropaulo, Bradesco, Braskem, Fibria, Marfrig, Suzano Papel e Celulose e Vale.

Entre os dados levantados pela análise feita pela Accenture, parceira do CDP, destacam-se:

554 pedidos de informações foram enviados a fornecedores latino-americanos, sendo 413 brasileiros. 49% do universo brasileiro de fornecedores responderam ao programa, contra um índice global de respostas de 39%;

29% dos fornecedores brasileiros acreditam que os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos devido às fortes secas ou inundações que afetam direta ou indiretamente todos os negócios, contra 25% que acha que tais impactos serão percebidos apenas daqui a 6 a 10 anos;

43% dos membros brasileiros investem para mitigar os riscos das mudanças climáticas por meio da redução de emissões. Por outro lado, apenas 13% de seus fornecedores que responderam ao questionário fazem o mesmo;

Os 13% dos fornecedores brasileiros que reportaram investir na redução de emissões sinalizam economias monetárias de US$ 14 milhões;

63% dos respondentes identificam um risco relacionado às mudanças climáticas, atual ou futuro, com potencial de afetar de forma expressiva suas receitas ou negócios;

72% das empresas que investem em iniciativas de redução das emissões percebem que as mudanças climáticas representam um risco físico para suas operações, em comparação com 32% que não estão investindo em tais iniciativas.

“Sabemos que a cadeia de fornecimento é responsável diretamente pelo resultado de uma empresa. Estamos falando aqui de influências diretas em receita, qualidade do produto final, percepção do consumidor. Por isso, é extremamente importante que as grandes empresas não apenas invistam em mitigar seu impacto junto ao meio ambiente, mas também incentivem seus fornecedores a fazê-lo”, destacou Fernando Eliezer Figueiredo, diretor do CDP Brasil.

Membros do CDP Supply Chain Brasil:

AES Eletropaulo
A AES Eletropaulo, empresa do Grupo AES Brasil, reforçou seu compromisso com o desenvolvimento sustentável por meio de sua Plataforma de Sustentabilidade. Criada a partir de um amplo processo que envolveu a alta liderança e mais de 130 representantes de públicos de relacionamento entre colaboradores, clientes, fornecedores e representantes da sociedade civil, a empresa assumiu compromissos e metas que estão traduzidos no Planejamento Estratégico Sustentável do Grupo. Entre esses compromissos, destacam-se as ações do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores, que busca identificar os impactos socioambientais e econômicos da sua cadeia de valor e motivar a adesão dos prestadores de serviço e fornecedores de materiais às praticas sustentáveis. Nesse contexto, segundo a empresa, a iniciativa do CDP Supply Chain tem sido uma importante ferramenta para conhecer como sua cadeia de suprimentos atua em relação à gestão das mudanças climáticas e como se posiciona mediante às exigências do mercado de baixo carbono. “O CDP Supply Chain tem sido uma importante ferramenta de conhecimento e engajamento de nossos fornecedores, os quais são fundamentais no nosso processo de gestão de mudanças climáticas”, afirmou Sonia Hermsdorff, gerente de meio ambiente, projetos corporativos e gestão de programas ambientais.

Banco Bradesco S/A
O desenvolvimento socioeconômico do país é um compromisso da Organização Bradesco que, de forma permanente, busca a sustentabilidade na gestão, nos negócios e nas práticas do dia a dia. Signatário do Carbon Disclosure Project (CDP) desde 2006 e disseminador do Supply Chain Leadership Collaboration (SCLC) desde 2008, o Bradesco acredita que a iniciativa está alinhada à sua estratégia de desenvolvimento da cadeia de valor, bem como auxilia a organização na gestão das emissões indiretas, que no ano de 2012 representaram 92,8% das emissões totais. Adicionalmente, engajar e incentivar os fornecedores à gestão e à divulgação de suas emissões de gases de efeito estufa (GEEs) é um dos objetivos do banco, que anualmente aborda o tema em um evento que reúne Banco Bradesco, seus fornecedores e o CDP Brasil. Em 2012, 66 empresas responderam ao questionário.

Braskem
A estratégia de desenvolvimento sustentável da Braskem está suportada por sete macro objetivos, dentre os quais o de gases de efeito estufa (GEE). Deste modo, existem diversas iniciativas associadas que apoiam a evolução em operações mais sustentáveis, reduzindo a intensidade das emissões GEE, e soluções mais sustentáveis para a sociedade. Para isto a Braskem realiza, desde 2006, o inventário de emissões GEE, e a sua estratégia de evolução na gestão dessas emissões requer um engajamento dos fornecedores, visto que as oportunidades de mitigação dessas emissões, muitas vezes encontram-se na cadeia e não somente nos processos da empresa. O CDP Supply Chain suporta a Braskem na sensibilização, capacitação e engajamento dos fornecedores, e consequentemente na identificação de oportunidade de melhorias para evolução no tratamento das questões climáticas.

Fibria
A Fibria, primeira companhia florestal do mundo a aderir ao CDP Supply Chain, adota práticas de gestão para as mudanças climáticas ao longo do ciclo produtivo da celulose de eucalipto. O engajamento entre a companhia e seus fornecedores é fundamental para buscar o desenvolvimento sustentável em toda a cadeia de suprimentos. Segundo a empresa, “o CDP Supply Chain exerce um papel importante nesse sentido, uma vez que contribui para a eficiência de gestão da cadeia produtiva e incentiva fornecedores a identificar e divulgar suas emissões de gases de efeito estufa”. Em 2012, 93% dos fornecedores convidados pela Fibria responderam o questionário, o que mostra um aumento significativo na participação em relação a 2010 (45%) e em 2011 (71%), comprovando entendimento da iniciativa e engajamento.

Marfrig
O Grupo Marfrig, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, trabalha continuamente para tornar seus processos e atividades cada vez mais sustentáveis. Para atingir esse objetivo, estabeleceu seis dimensões estratégicas (ambiental, social, econômica, produto, tecnológica e cadeia de suprimentos) para direcionar todos os seus negócios nos 17 países onde atua, com 148 unidades de produção. Segundo a Marfrig, “gerenciar os riscos e oportunidades criados por nossos produtos, certamente inclui trabalhar e desenvolver um relacionamento próximo aos nossos fornecedores, afinal mais de 95% das emissões de GEE de nossos produtos estão ligadas à cadeia de suprimentos”. Em 2012, o Grupo Marfrig tornou-se empresa membro do CDP Supply Chain e convidou 53 fornecedores a proverem informações acerca de sua gestão de GEE e entendimento dos riscos climáticos a que estão expostos, além das oportunidades de melhoria. Esses fornecedores foram selecionados a partir de critérios que envolveram a exposição dos negócios da empresa a riscos climáticos e reputacionais, e a participação dos mesmos nos custos operacionais.

Suzano Papel e Celulose
A Suzano Papel e Celulose acredita que trabalhar a cadeia de valor é uma tendência nas agendas corporativas e identificou no CDP Supply Chain uma forma inovadora de trazer para seu dia-a-dia uma ferramenta que engajaria seus fornecedores nesta temática tão relevante. Segundo a Suzano, “os três anos de participação na iniciativa foi um processo enriquecedor para a empresa e temos relatos gratificantes de nossos fornecedores. Percebemos que eles internalizaram o tema e hoje reconhecem a importância de trabalhar a gestão de emissões e governança climática em suas empresas. Com o amadurecimento do mercado, outras empresas passarão a incorporar essa discussão em suas estratégias e a transformarão em um fator competitivo”.

Vale
Líder global na produção de minério de ferro e pelotas, a Vale tem sede no Brasil e atua em mais de 30 países nos cinco continentes. A empresa tem como missão transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável e, neste sentido, trabalha de forma responsável e comprometida com a sustentabilidade de seus negócios. Um exemplo disso é a atuação da Vale junto à sua cadeia de fornecedores e clientes visando à redução de emissões de CO2, compromisso que faz parte da sua política de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Para tornar isso possível, a Vale vem engajando seus fornecedores no tema por meio de iniciativas como o CDP Supply Chain. Para a Vale, o programa é uma oportunidade que possibilita aos seus fornecedores terem condições de alcançar a excelência na gestão eficiente de carbono, identificando riscos e oportunidades. A empresa acredita que, com uma gestão aprimorada no tema, é possível reduzir riscos e as próprias emissões, tornando todos os envolvidos – Vale, empresas e clientes – ainda mais competitivos em uma economia de baixo carbono. Mais informações sobre a empresa no site: www.vale.com.

 

R$ 2 bilhões financiam safra 2012/13 para tecnologias de mitigação e ações de adaptação às mudanças climáticas

Empréstimos para produção sustentável quadriplicam na safra 2012/13


O Governo Federal tem fomentado o aumento da produção sustentável no campo por meio de linhas de crédito do Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). Na safra atual, já foram liberados R$ 2 bilhões entre julho de 2012 e fevereiro deste ano, valor quatro vezes maior que os R$ 500 milhões obtidos no mesmo período da temporada anterior.

Nos oito meses da safra 2012/13, a região Sudeste alcançou o maior volume de empréstimos, totalizando R$ 737,1 milhões, dos quais R$ 382,6 milhões foram adquiridos por produtores de Minas Gerais e R$ 323,2 milhões pelos de São Paulo. Os dois estados, que mais obtiveram recursos pelo Programa ABC no período, também firmaram o maior número de contratos: 1,3 mil e 978, respectivamente.

Os produtores do Centro-oeste vêm em seguida. Foram R$ 644,3 milhões em empréstimos, sendo R$ 243 milhões financiados no Mato Grosso do Sul, R$ 206,6 milhões no Mato Grosso, R$ 193,8 milhões no Goiás e R$ 731,8 mil no Distrito Federal.

No Sul, os financiamentos somaram R$ R$ 371,6 milhões, dos quais R$ 193,5 milhões no Rio Grande do Sul, R$ 150,8 milhões no Paraná e R$ 27,2 milhões em Santa Catarina.

Desde o lançamento da iniciativa, em agosto de 2010, já foram liberados R$ 3,9 bilhões. Essa linha de crédito faz parte das iniciativas previstas no Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, que tem o objetivo de organizar e planejar ações para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, com o objetivo de reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) no setor agropecuário no País.

Ao todo são sete os programas, sendo seis referentes às tecnologias de mitigação e outro com ações de adaptação às mudanças climáticas: Recuperação de Pastagens Degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN); Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos Animais; Adaptação às Mudanças Climáticas. A abrangência do Plano ABC é nacional e tem duração prevista até 2020.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Estudo apresenta proposta para redução e monitoramento da emissão de carbono na agricultura

Por Cristiane Vasconcelos, Embrapa, 25/03/2013

Em tempos de mudanças climáticas, o mundo se volta para a importância da redução da emissão de gases do efeito estufa pela agricultura. Estudos de referência feitos em quatro regiões brasileiras deram origem ao trabalho Mitigando Emissões de Gases na Agricultura: Bases para o Monitoramento do Programa ABC, que traz uma proposta efetiva de mitigação desse impacto na agricultura brasileira.

Hoje (27/03/13), Embaixada Britânica, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Embrapa apresentarão, como resultado do estudo, a proposta da primeira base de monitoramento da emissão de carbono na agricultura, a partir das 16 horas, no auditório da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). O estudo representa o início de uma mudança de paradigma para a agricultura brasileira, em apoio ao Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono).

O trabalho, que também contou com a participação de outras unidades da Embrapa, será apresentado pelo pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), Eduardo Assad, um dos coordenadores do estudo.

O objetivo do estudo foi quantificar os estoques de carbono no solo em áreas de pastagens degradadas, recuperadas por meio de manejos adequados e pela adoção dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), e em Sistemas Agroflorestais (SAF) nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, seguindo os critérios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima). Até dezembro de 2013, será finalizado também essa quantificação nos solos da Amazônia, na região Norte.

A partir disso, o estudo montou uma linha de base de medição e monitoramento do estoque de CO² em pastagens degradadas e nos sistemas agroflorestais, analisando se os manejos adotados na agricultura desses espaços contribuiu para retirar ou não o carbono da atmosfera, na medida em que aumentava o estoque deste no solo.

A proposta apresentada é que a medição e o monitoramento desse estoque seja feito a cada cinco anos, atestando se os sistemas ILP, ILPF e SAF adotados estão contribuindo para uma agricultura mais limpa, ou agricultura ABC, como é chamada a agricultura de baixa emissão de carbono, explica Eduardo Assad.

O estudo representa um enorme esforço para mitigação da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera e contou com a base científica de diversos trabalhos desenvolvidos pela Embrapa e Universidades nos últimos 25 anos.

Resultados

Os resultados do estudo serão apresentados no evento de hoje (27/03/13) e já estão disponíveis para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os quais poderão adotar as medidas necessárias para colocar as ações de monitoramento em prática na agricultura brasileira.

Plano ABC

O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo País.

Entre os sete programas que compõem o Plano ABC, estão: Recuperação de Pastagens Degradadas (Programa 1) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e Sistemas Agroflorestais (Programa 2).

Saiba mais no site do Ministério da Agricultura, clicando aqui.

Anote na agenda

Apresentação do estudo "Mitigando Emissões de Gases na Agricultura: Bases para o Monitoramento do Programa ABC".
Data: 27 de março de 2013
Hora: 16 horas
Local: Auditório da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Endereço: Parque Estação Biológica - PqEB - Av. W5 Norte (final), Brasília/DF


quinta-feira, 21 de março de 2013

Câmara cria Comissão para acompanhar adaptação às mudanças climáticas



 Por  Jornal do Brasil, 21/03/2013

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou no final da manhã desta quinta-feira (21), a criação de comissão externa para acompanhar os efeitos das chuvas em Petrópolis (RJ), proposta pelo líder do PV, deputado Sarney Filho.

“Essa comissão foi proposta para que a gente pudesse não só compreender a repetição trágica desses acontecimentos que têm ceifado vidas, ano após ano no Rio de Janeiro, mas também saber como os governos estão lidando com as adaptações às mudanças climáticas. Isso [a tragédia é Petrópolis] é resultado das mudanças climáticas, da negligência, e também da má aplicação de recursos e nós temos que apurar. A Câmara aprovou essa comissão para dizer principalmente a toda sociedade que o parlamento brasileiro tem interesse em saber como está a adaptação as mudanças climáticas O Brasil tem que começar a encarar essa questão com a seriedade que ela merece e o parlamento brasileiro não ficar fora disso”, disse Sarney Filho.

A comissão irá averiguar os danos sociais, ambientais e econômicos, decorrentes das enchentes, inundações e desmoronamentos, bem como verificar as providências que estão sendo tomadas no sentindo de atender as populações afetadas.

domingo, 17 de março de 2013

Mudanças Climáticas expõem vulnerabilidade da Região Metropolitna de Belém

por Walter Pinto, Jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXVII Nº111, Março e Abril de 2013, 17/03/2013

Periferia da Metrópole é a que mais sofre com os efeitos das inundações, revela a pesquisa do NAEA. Foto Laís Teixeira

A Região Metropolitana de Belém (RMB) apresenta uma geografia caracterizada pela presença de cursos d’água e alta incidência de chuvas diárias, particularmente, de janeiro a abril. A combinação dos fatores maré alta e chuva contribui para a ocorrência de inundações periódicas em áreas baixas, formada por terrenos abaixo da cota 4 m, onde reside grande parte dos dois milhões de habitantes da região.

A situação tende a se agravar em função de mudanças climáticas, por exemplo, o aumento no índice pluviométrico e a ocorrência de chuvas mais fortes. Para analisar o grau de vulnerabilidade dos moradores aos riscos causados pelas inundações e auferir até que ponto os governos federal, estadual e municipais tomam medidas com vistas a preparar as áreas afetadas para enfrentar os possíveis impactos decorrentes de mudanças climáticas, a cientista ambiental Glorgia Barbosa de Lima de Farias realizou estudo nas zonas urbanas de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Izabel do Pará.

O estudo “Cidades, Vulnerabilidades e Adaptação às Mudanças Climáticas: um Estudo na Região Metropolitana de Belém”, orientado pelo professor Claudio Szlafsztein, valeu à Glorgia Farias o título de Mestre em Planejamento do Desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA). Recentemente, a dissertação recebeu o prêmio de melhor estudo na área ambiental de 2012, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (ANPPAS).

Trata-se de um estudo pioneiro sobre a RMB conjugando informações a respeito de saneamento, habitação, saúde e questões sociais, que podem servir de referência para o desenvolvimento de outros estudos ambientais, além de fornecer dados para o planejamento de ações visando à melhoria da qualidade de vida dos moradores, sobretudo no momento em que a Metrópole passa por mudanças nas administrações municipais. Entre as conclusões do estudo, a pesquisadora constatou que as regiões de baixadas da RMB ainda não estão preparadas para receber os impactos das inundações. Observou, também, que secretarias governamentais envolvidas com a questão não dispõem de informações e de corpo funcional qualificado para o desenvolvimento de diagnósticos que subsidiem planos e medidas de adaptação aos efeitos causados por mudanças climáticas.

Inexistem projetos para minimizar impactos ambientais

Por mudança climática, deve ser entendida qualquer alteração nas características do ambiente, podendo ser de magnitude, como uma chuva mais forte do que as que caem regularmente, ou de frequência, por meio do aumento do índice pluviométrico.

A carência de informações acerca do grau de vulnerabilidade e a adaptação das cidades às mudanças climáticas limitam a capacidade dos governos para o desenvolvimento de ações de combate aos impactos das inundações e dos alagamentos de áreas baixas. Nestas áreas, residem grandes concentrações populacionais, geralmente, carentes de serviços básicos, como saneamento e abastecimento de água, fatores que podem “incidir na elevação da vulnerabilidade e limitar a capacidade de resposta adaptativa da população aos impactos causados pelas mudanças climáticas.”

A situação tende a se agravar caso se confirmem as projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), principal referência para estudos de mudanças climáticas que, apesar de não mostrar resultados em nível local, indicam a possibilidade de ocorrências na Região Amazônica de eventos extremos, como consequência do aumento das chuvas.

Segundo o IPCC, para os próximos 100 anos, a Amazônia e o Nordeste serão as regiões mais afetadas pelas mudanças no clima, com destaque para as áreas urbanas e costeiras. É neste sentido que apontam as leituras de Glorgia Farias acerca de mapas climatológicos da RMB, do Instituto de Meteorologia, dos períodos de 1931-1960, 1961-1990 e 2000-2011. Ela observou uma tendência de aumento no volume e na intensidade das chuvas que, embora pequeno, recomenda a realização de estudos para efetivação de ações com vista à adequação das áreas de baixadas e dos moradores que nelas habitam, “afinal, tais ações não vão trazer problema algum, pelo contrário, só irão melhorar a qualidade de vida da população.”

Por ser uma questão muito nova, como explica a pesquisadora, as mudanças climáticas ainda não estão no foco dos planos e projetos políticos das secretarias de governo. O estudo constatou a inexistência de projetos específicos governamentais no Estado e nos municípios voltados para a melhor adaptação das populações aos possíveis impactos das mudanças climáticas. “Existem projetos de saneamento e de drenagem, mas eles não possuem o foco das mudanças climáticas”, diz Glorgia. “Não há um setor que estude as possibilidades de se fazer drenagem de ruas que leve em consideração os impactos causados pelas mudanças climáticas.”

Falta profissional qualificado para produzir diagnósticos

A pesquisa de Glorgia de Farias nas secretarias municipais foi realizada por meio de um questionário elaborado a partir de leituras de autores que tratam de assuntos relacionados a saneamento, à habitação, à política, às mudanças climáticas, às vulnerabilidades, às áreas de riscos, entre outros. Aplicado ao corpo técnico das secretarias, o questionário constou das seguintes perguntas: 1) Quais os aspectos que você considera mais importantes para o aumento do grau de vulnerabilidade em relação ao atual quadro de mudanças climáticas? 2) Quais projetos, planos e medidas que visam à qualidade infraestrutural das habitações, dos sistemas de saneamento e dos aspectos sociais estão sendo desenvolvidos por sua secretaria? 3) Quais os obstáculos para implementação dessas ações?

Segundo a pesquisadora, as respostas conduziram a constatações importantes, com destaque à ausência de profissionais capacitados para trabalhar com a questão mudanças climáticas e a precariedade de dados que auxiliem na formulação de projetos. Glorgia Farias observou a interdependência dos fatores. “A falta de profissionais capacitados que associem a questão do saneamento às mudanças climáticas torna difícil a produção de dados pelas secretarias. Se os órgãos responsáveis não dispõem dessas informações, como é que poderão desenvolver projetos que estejam voltados para a questão das mudanças climáticas?”.

Mapa evidencia precariedade no abastecimento de água

Apesar das dificuldades na coleta de dados, Glorgia de Farias construiu um mapa do grau de vulnerabilidade por município, o qual nos dá uma visão espacial sobre a RMB. O maior grau de vulnerabilidade em Belém registrou-se no indicador “Domicílios em assentamentos subnormais”, ou seja, em áreas de risco ou em áreas com potencial de inundação. Já para os demais municípios, a vulnerabilidade é maior no quesito “Abastecimento por rede geral de água”, indicando aos gestores que a questão da água merece maior atenção. Outro elevado índice registrou-se no indicador “Habitações atendidas por rede geral de esgoto pluvial” para todas as cidades da RMB, incluindo Belém. Marituba é o município de maior índice de vulnerabilidade no indicador “Saneamento e Habitação”, o mesmo se verificando quando este indicador é mesclado a outro, o “Social”, evidenciando as condições precárias de vida dos moradores das zonas de baixadas daquela cidade.

Adaptação - Em relação à vertente “Adaptação”, a pesquisadora, ao constatar que o planejamento urbano das secretarias municipais não se pauta pela questão das mudanças climáticas, decidiu trabalhar com os projetos existentes, envolvendo habitações populares, remanejamento de pessoal e saneamento, os quais, de alguma forma, contribuem para melhorar a qualidade de vida dos moradores ou, na linguagem acadêmica, melhorar a adaptação. Entre os projetos em desenvolvimento, a maioria deles relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, alguns se encontram paralisados, por exemplo, o Conjunto Jardim Juruti, em Benevides, que, apesar de concluído, não foi entregue à moradia porque a água do poço possui alto teor de ferro.

Em Belém, a principal cidade da RMB, a rede de esgoto atende a apenas 6% da população. O abastecimento de água, também reduzido, encontra-se em fase de ampliação para os conjuntos Jardim Sideral e Cordeiro de Farias. Em Santa Izabel e Benevides, há projetos de expansão dos sistemas de abastecimento de água e esgoto.

Outro projeto financiado pelo PAC é o de eliminação das baixadas por meio de ocupação das áreas inundáveis, via macrodrenagem. Com essa finalidade, estão em execução obras de urbanização integrada nas áreas do Riacho Doce, do Pantanal, do Mangueirão, do Igarapé Taboquinha, das comunidades da Pratinha, Fé em Deus, da Bacia do Paracuri, do Portal da Amazônia, da Vila da Barca e da Estrada Nova, todas voltadas à eliminação de problemas advindos das inundações.

A pesquisadora observa que as secretarias municipais buscam remediar os problemas de obstrução de bueiros e canais causados pela deposição inadequada de resíduos. Ela atribui esta prática muito difundida entre moradores ao descumprimento de normas e de horários, por parte dos responsáveis pela coleta de resíduos.

Instituições públicas e privadas precisam trabalhar juntas

Na conclusão do estudo, Glorgia de Farias sugere que sejam desenvolvidos planos integrados de adaptação entre os municípios que compõem a RMB, “de modo que se faça cumprir a ideia da existência de uma região metropolitana, de fato.”

No entanto ela ressalta a necessidade de dotar as ações de um olhar mais técnico e crítico, cujo foco consiga associar o aspecto social à questão ambiental. “Por que não inserir nestes projetos a questão da adequação às mudanças climáticas?”, indaga. “É preciso que as instituições públicas e privadas consigam entender melhor de que forma estas mudanças climáticas globais podem interferir no plano local.”

Segundo ela, há uma tendência em achar que os problemas causados por mudanças globais só acontecem em outros continentes, como a Europa e a Ásia. E, se viessem a acontecer na Amazônia, seria algo vivenciado por gerações muito posteriores. “Na verdade, nós já estamos vivenciando isso, mesmo que não seja num nível drástico”, observa.

O estudo de Glorgia mostra que se, em nível local, é possível visualizar algumas ações voltadas à melhoria das condições de vida nas zonas mais afeitas aos problemas de inundações, há muito a ser feito com vista ao enfrentamento de problemas de maior magnitude que advirão com as mudanças climáticas. Segundo ela, grande parte dos autores estudados na pesquisa é unânime em afirmar que as mudanças serão inevitáveis. “Como se trata de algo que vai acontecer mesmo, a gente precisa se preparar para lidar com as consequências”, avalia.

Neste sentido, o papel dos gestores será dotar as secretarias de pessoal técnico qualificado e destinar investimentos ao planejamento em infraestrutura e em qualidade de vida, preparando a população e as cidades para a carga que virá. Ou, então, continuar mitigando os impactos por meios de ações desconexas e pontuais.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Prejuízo ao país com enchentes em São Paulo ultrapassa R$ 762 milhões por ano


Por José Tadeu Arantes, Agência FAPESP, 15/03/2013

Agência FAPESP – Cada ponto de alagamento formado na cidade de São Paulo após uma chuva forte provoca um prejuízo diário de mais de R$ 1 milhão ao país. Com 749 pontos de alagamento identificados na cidade, as perdas anuais no âmbito do município chegam a quase R$ 336 milhões. E, com o espraiamento dos efeitos pelas longas cadeias de produção e renda, o prejuízo vai a mais de R$ 762 milhões em escala nacional.

Pesquisadores da FEA-USP contabilizam as perdas provocadas pela interrupção da atividade econômica em empresas localizadas perto dos 749 pontos de alagamento identificados na cidade (foto: Wikimedia)

As informações fazem parte de um estudo realizado por Eduardo Amaral Haddad, professor titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), e por Eliane Teixeira dos Santos, mestranda em Teoria Econômica, orientada por Haddad. Um artigo assinado por ambos, “Economic Impacts of Natural Disasters in Megacities: The Case of Floods in São Paulo, Brazil” (Impactos Econômicos de Desastres Naturais em Megacidades: O Caso das Inundações em São Paulo, Brasil), está prestes a ser publicado em número especial da revista Habitat International.

Haddad é coordenador de economia e pesquisador na área de Economia das Mudanças Climáticas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), que conta com apoio da FAPESP. Ele também coordena a área de economia da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O estudo do impacto econômico dos alagamentos em São Paulo, realizado por Haddad e Santos, poderá subsidiar a tomada de decisões nas várias instâncias do governo para minimizar os efeitos das mudanças climáticas globais. Projeções decorrentes de estudos mais abrangentes indicam um aumento na frequência e intensidade de eventos extremos de curta duração e anunciam que o número de dias com chuvas fortes deverá crescer até o final do século. Os paulistanos e os mais de 1 milhão de moradores dos municípios vizinhos que acorrem diariamente a seus postos de trabalho na cidade de São Paulo terão que se preparar para esses eventos, inevitáveis.

Ao longo das primeiras seis décadas do século 20, houve pouquíssimas ocasiões em que as chuvas na cidade de São Paulo excederam a marca dos 80 milímetros por dia – na média, apenas uma por década, desde os anos 1930, quando as medições começaram a ser feitas com regularidade. Esse número, no entanto, começou a aumentar a partir do início dos anos 1970. E somou nada menos do que nove ocorrências na primeira década do século 21. Os violentos temporais que já caíram nos primeiros meses de 2013 são um sintoma dessa tendência.

Haddad disse à Agência FAPESP que o estudo chegou a cinco conclusões principais. “As enchentes contribuem para reduzir o crescimento da cidade e o bem-estar da população; os alagamentos aumentam os custos das empresas instaladas em São Paulo e prejudicam sua competitividade nos mercados doméstico e internacional; os efeitos não são apenas locais, mas se espraiam por meio de longas cadeias de produção e renda; para avaliar todos os efeitos, é preciso considerar as interações internas e externas ao sistema urbano; e, dado o espraiamento dos efeitos, a busca por soluções requer a coordenação de esforços dos poderes municipal, estadual e federal.”

Integração de dados geográficos e econômicos

O estudo dos dois pesquisadores avaliou os impactos econômicos das inundações na cidade de São Paulo por meio de um modelo espacial de Equilíbrio Geral Computável (Computable General Equilibrium – CGE) integrado aos dados de um Sistema de Informação Geográfica (Geographic Information System – GIS) relativo ao município.

Com essa ferramenta, capaz de sintetizar informações econômicas e geográficas por meio de avançados recursos computacionais, os pesquisadores localizaram 749 pontos de alagamento na cidade de São Paulo e todas as empresas situadas em raios de até 200 metros em torno de cada um deles, que são aquelas diretamente afetadas. A definição do raio a ser considerado foi feita a partir de visita de Santos a áreas tradicionalmente impactadas.

Os pesquisadores trabalharam com dados de 2008. Mas uma atualização, até 2013, está sendo finalizada e será apresentada em breve na dissertação de mestrado de Santos. A estimativa do prejuízo de mais de R$ 1 milhão por ponto de alagamento ao dia faz parte desse novo conjunto numérico.

“Note que medimos apenas as perdas decorrentes das interrupções da produção, do comércio e dos serviços. Não computamos os gastos com danificação de edifícios, veículos e equipamentos; destruição de mercadorias, bens particulares e instalações públicas; atendimento à saúde das pessoas afetadas; e tantos outros”, sublinhou Haddad.

Repercussões no estado e no país

Com 39 municípios em intenso processo de conurbação e cerca de 20 milhões de habitantes, a região metropolitana de São Paulo é, atualmente, a quarta maior aglomeração urbana do mundo. Como também ocorreu em outras das chamadas “cidades globais”, o centro de gravidade de sua atividade econômica migrou, nas últimas décadas, da produção de mercadorias para prestação de serviços.

A cidade de São Paulo, núcleo da região metropolitana, está diretamente envolvida em 14,1% de todos os fluxos comerciais do país, com parceiros no Brasil e no exterior. Ao mesmo tempo, o setor produtivo se fragmentou, com a produção de componentes em diferentes estabelecimentos, integrados em longas cadeias de valor, que extrapolam os limites geográficos da região metropolitana e mesmo do estado. Tudo isso e o deslocamento diário de trabalhadores entre vários municípios dentro e fora da região metropolitana fazem com que um evento como o alagamento em ponto específico da cidade tenha, eventualmente, repercussões em escalas estadual, nacional ou até mesmo internacional.

“A situação é agravada pelas transformações que uma urbanização não planejada ou mal planejada ocasionou no uso da terra, com a ocupação e a impermeabilização das várzeas dos rios, em especial da bacia hidrográfica do Alto Tietê, e a consequente redução da drenagem das águas pluviais durante as chuvas fortes. E pelas ‘ilhas de calor’, geradas na área metropolitana em decorrência da própria aglomeração urbana, que contribuem para a ocorrência e intensificação dos eventos extremos”, acrescentou Haddad.

Segundo o pesquisador, a conclusão central do estudo é a de que, apesar de aparentemente local, o fenômeno das enchentes em São Paulo não pode ser equacionado em escala restrita, em razão de suas interações dentro e fora do sistema urbano. “Medidas relativas ao planejamento e ao controle do uso da terra precisam ser executadas em paralelo com projetos de engenharia que promovam a drenagem. Mas a compreensão de que o problema repercute muito além dos limites do município exige a coordenação de esforços nas esferas municipal, estadual e federal.”

terça-feira, 12 de março de 2013

A abertura dos trabalhos da Comissão Mista de Mudanças Climáticas (CMMC)

Conscientização sobre mudanças climáticas abrirá ciclo de audiências da CMMC

por Simone Franco, Agência Senado, 12/03/2013

A abertura dos trabalhos da Comissão Mista de Mudanças Climáticas (CMMC) em 2013 será marcada pela realização, na próxima terça-feira (19), às 11h, de evento em comemoração ao Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. O tema foi sugerido pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e dá início ao ciclo de audiências públicas previsto no plano de trabalho elaborado pelo deputado federal Sarney Filho (PV-MA) - relator do colegiado -, aprovado em reunião nesta terça-feira (12).

A data será debatida na perspectiva do cumprimento das metas estabelecidas para o Brasil na Rio+20, dos projetos de conscientização da população sobre as mudanças climáticas, do papel das escolas e dos programas educacionais na busca da sustentabilidade ambiental. Dentre os convidados, estão o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, e o diretor do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Nilo Sergio de Melo Diniz.

VERTENTES

Ao apresentar a versão final do plano de trabalho da CMMC, Sarney Filho ressaltou as duas vertentes que sustentam sua proposta. Em primeiro lugar, mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, que, segundo observou, já influenciam os modos de produção e vida dos brasileiros. O domínio sobre esta variável é importante, acrescentou em seguida, para formatação das políticas públicas de prevenção e combate a desastres naturais.

A outra vertente está focada no controle da emissão de gases do efeito estufa. Ao comentar a questão, Sarney Filho assinalou a particularidade do Brasil em relação a outros países, caracterizada pela participação expressiva do desmatamento no lançamento de poluentes na atmosfera.

Por sugestão da presidente da comissão, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), deverá ser realizado um seminário nacional de legisladores, entre outubro e novembro deste ano, em Brasília, onde serão analisadas as políticas de enfrentamento das mudanças climáticas. Conforme explicou, o evento será preparatório à participação de membros da CMMC na 19ª Conferência das Partes (COP-19) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, agendada para o período de 11 a 22 de novembro em Varsóvia, na Polônia.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Projeto sobre legislação de Pagamento por Serviços Ambientais visa diagnosticar normas


Por Sarah Bueno Motter, Planeta Verde/EcoAgência, 11/03/2012

Água limpa, ar puro, retenção de carbono pela vegetação, o meio ambiente, quando preservado, proporciona à sociedade serviços essenciais ao melhoramento e à manutenção da qualidade de vida. Esses benefícios, cada vez mais reconhecidos pelo poder público, sociedade civil e mercado, ganham um novo patamar quando recebem uma valoração econômica. O Instituto O Direito por um Planeta Verde, com o financiamento do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do governo federal, iniciou em março deste ano projeto com objetivo de estabelecer um diagnóstico sobre as legislações que regem o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), em sete estados brasileiros.

O coordenador técnico da iniciativa, que leva o nome "Sistemas estaduais de PSA: diagnóstico, lições aprendidas e desafios para a futura legislação", Guillermo Tejeiro, explica a principal meta do projeto. "Nosso objetivo é avaliar qualitativamente a legislação sobre PSA adotada até 2010 em sete estados da federação, ou seja, fazer um estudo qualitativo destes instrumentos jurídicos, a fim de aprimorar não só os sistemas que já estão em funcionamento, como também contribuir para a futura legislação federal sobre PSA, que está sendo debatida pelo Congresso Nacional." Além disso, pretende-se sensibilizar e capacitar os gestores, legisladores e operadores do direito sobre a importância do PSA e também sobre o conteúdo das normas.

Os estados de abrangência do projeto que possuem leis adotadas sobre PSA até o ano de 2010 são Amazonas, Acre, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Ainda não se sabe como essas normas são aplicadas e se elas são efetivas. “Estamos trabalhando com estes sete estados, porque precisamos de legislações que tenham um mínimo de implementação para conseguirmos analisar os seus resultados, consideramos dois anos como um prazo suficiente”, explica Tejeiro. Para avaliar a realidade de maneira eficaz, serão contratados sete consultores, um em cada estado. Entre outras atividades, esses técnicos vão identificar e fazer entrevistas com uma comunidade por estado pesquisado beneficiada pelo sistema de pagamento de serviços ambientais.

A fim de contribuir com a elaboração de leis cada vez mais efetivas sobre o tema, as experiências já existentes serão comparadas com os projetos que estão em tramitação no congresso e a Medida Provisória nº 535, de 2 de junho de 2011, que institui o Programa de Apoio à Conservação Ambiental e o Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. O projeto na sua finalização vai dar suporte empírico e teórico para o melhoramento da efetividade dessas leis. Pretende-se chegar a resultados como, por exemplo, o número e tipo de população beneficiada pelo PSA, como é feito o pagamento para os beneficiários e como se estabelece a adesão da população aos programas.

No evento de fechamento do projeto, que acontecerá em Brasília, será divulgado a representantes dos governos federal, estaduais e municipais, além de membros do Congresso Nacional, entre outros interessados, as conclusões do estudo e contribuições para aprimoramento da legislação. Ainda, durante o desenvolvimento do projeto, serão publicados quatro e-books, abrangendo temas relevantes sobre PSA os quais serão publicados na página da web.

O projeto "Sistemas estaduais de PSA: diagnóstico, lições aprendidas e desafios para a futura legislação" tem a duração de um ano e é a segunda fase do Projeto "Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos", realizado pelo Instituto O Direito por um Planeta Verde, entre os anos de 2008 e 2010. O PSA tem conexão direta com a questão do aquecimento global, pois pode ser uma importante ferramenta de mitigação e de adaptação aos desafios das mudanças climáticas.

Pagamento por Serviços Ambientais

Os serviços ambientais possuem diversas dimensões e características, podem ter a concretude da matéria-prima de um objeto, como também a intangibilidade da estética de paisagens naturais. Eles estão presentes tanto em um nível local, por exemplo, na regulação do microclima de uma cidade por áreas verdes, como no nível global, no sequestro de carbono combatendo o aquecimento global. Na questão das mudanças climáticas, existem vários serviços ecossistêmicos fundamentais, além da captura de CO2, também a regulação do ciclo hidrológico e a prevenção de eventos catastróficos, como as inundações.

O Pagamento por Serviços Ambientais estabelece um novo conceito para preservação do meio ambiente."Este novo paradigma, de cunho econômico-ambiental, indica que as estratégias de preservação e conservação focadas na valorização econômica dos serviços que os ecossistemas fornecem, podem, em alguns casos, e sob condições específicas, render frutos positivos para a natureza e para as comunidades beneficiárias destes programas", explica Tejeiro. O PSA reconhece as tensões existentes entre preservar os ecossistemas naturais ou não. É preciso ter em mente que em um contexto de degradação ambiental, essa ferramenta pode ser fundamental para a qualidade de vida das atuais e futuras gerações.

sábado, 9 de março de 2013

UFPA inicia estudo sobre adaptações socioculturais dos caboclos do estatuário Amazônico a eventos extremos de marés



Diário do Pará, 09/03/2013

Em uma região em que a água guia o curso da vida de grande parte da população, estudar como as recentes mudanças climáticas alteram práticas milenares merece atenção. Este é o tema do trabalho “Adaptações socioculturais dos caboclos do estatuário Amazônico a eventos extremos de marés”. À frente do estudo está a Universidade Federal do Pará (UFPA), que conta com colaboração internacional. Na última semana, pesquisadores responsáveis pelo projeto ofereceram um workshop a estudiosos interessados em mudanças climáticas na Amazônia.

O projeto, que começou em fevereiro do ano passado e deve ser concluído em 2015, avalia aspectos socioeconômicos, culturais climáticos e hidrográficos. Ele é financiado pelo International Development Research Center (IDRC). A UFPA lidera o trabalho em parceria com a Universidade de Waterloo, do Canadá, e com a Universidade de Columbia, de Nova Iorque. No foco, estão as inundações inesperadas causadas pela maré cheia nos rios, conhecidas como lançantes, que se intensificaram nos últimos anos em algumas comunidades.

A professora Oriana Almeida está coordenando o estudo pela UFPA através do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). “Nós estamos estudando uma comunidade rural em Abaetetuba, duas em Ponta de Pedra, uma comunidade em Mazagão, em Macapá, e outra em Ipixuna, também no Amapá. O objetivo principal é analisar a adaptação das populações ribeirinhas às mudanças climáticas e criar modelos de simulações para prever como cada mudança irá afetar a vida dessas pessoas. Assim, nós podemos saber se estas populações estão ou não preparadas para acompanhar essa realidade”, explica.

O professor e ecologista Miguel Pinedo-Vasquez, da Universidade de Columbia, ressalta a necessidade de investimentos em análises locais para compreensões globais. “A Amazônia é um grande laboratório para este tipo de estudo. A partir das adaptações que as populações destas comunidades estão realizando, nós podemos estender este modelo para outras áreas da região”, observa.

De acordo com Pinedo-Vasquez, resultados preliminares mostram que a maioria dos ribeirinhos está readequando suas práticas levando em consideração o nível das águas. Segundo o professor, quando concluído, o estudo poderá servir de base para adequação e implantação de políticas públicas ambientais.

 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Governo do Espírito Santo cria Programa de Mudanças Climáticas

Construído às pressas, documento foi feito sem a conclusão do inventário das emissões

por Kauê Scarim, Século Diário, 08/03/2013

O governo de Estado, por meio de portaria publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (8), criou o Programa Mudanças Climáticas, no âmbito da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). O objetivo do programa é coordenar a implantação dos instrumentos da Política Estadual das Mudanças Climáticas, instituída pela Lei 9.531, de 2010.

A criação do Programa Mudanças Climáticas faz parte das ações que visam estruturar o Programa Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas, previsto no Planejamento Estratégico 2011/2014, do governo do Estado. Além disso, a portaria cria Núcleos de Gerenciamento dos dois programas.

O projeto da Lei 9.531/2010, enviado pelo então governador Paulo Hartung (PMDB) à Assembléia Legislativa, foi elaborado pelo Fórum Capixaba de Mudanças Climáticas (FCMC), com o objetivo inicial de auxiliar o Estado no combate aos efeitos das mudanças.

Porém, desde a sua constituição, o projeto recebe críticas de ambientalistas. Segundo eles, a formulação do programa ignorou a inexistência de dados sobre índices de emissões do Estado, bem como as suas principais fontes, sabidamente as grandes empresas, como a Vale, ArcelorMittal e a Aracruz Celulose (atual Fibria Celulose).

Construído às rpessas, o documento foi feito, à época, sem a conclusão do Inventário dos Gases do Efeito Estufa, que vinha sendo realizado. Sem essas informações, para os ambientalistas, o programa perdeu sua grande força e luta contra um "inimigo que ele mesmo desconhece".

É consenso no Estado que há falta de estudos sobre as emissões de gases poluidores. Especialsitas da área afirmam que, se tivéssemos estudos concretos sobre as fontes de cada tipo dentre as partículas causadoras de malefícios à saúde, seria possível finalmente definir, de modo oficial, qual é a fonte real da poluição, para além do "empurra-empurra" atual - empresas poluentes se eximem da responsabilidade, o poder público continua inoperante na fiscalização e punição e a população, em meio ao imbróglio, segue sofrendo.