sábado, 9 de março de 2013

UFPA inicia estudo sobre adaptações socioculturais dos caboclos do estatuário Amazônico a eventos extremos de marés



Diário do Pará, 09/03/2013

Em uma região em que a água guia o curso da vida de grande parte da população, estudar como as recentes mudanças climáticas alteram práticas milenares merece atenção. Este é o tema do trabalho “Adaptações socioculturais dos caboclos do estatuário Amazônico a eventos extremos de marés”. À frente do estudo está a Universidade Federal do Pará (UFPA), que conta com colaboração internacional. Na última semana, pesquisadores responsáveis pelo projeto ofereceram um workshop a estudiosos interessados em mudanças climáticas na Amazônia.

O projeto, que começou em fevereiro do ano passado e deve ser concluído em 2015, avalia aspectos socioeconômicos, culturais climáticos e hidrográficos. Ele é financiado pelo International Development Research Center (IDRC). A UFPA lidera o trabalho em parceria com a Universidade de Waterloo, do Canadá, e com a Universidade de Columbia, de Nova Iorque. No foco, estão as inundações inesperadas causadas pela maré cheia nos rios, conhecidas como lançantes, que se intensificaram nos últimos anos em algumas comunidades.

A professora Oriana Almeida está coordenando o estudo pela UFPA através do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). “Nós estamos estudando uma comunidade rural em Abaetetuba, duas em Ponta de Pedra, uma comunidade em Mazagão, em Macapá, e outra em Ipixuna, também no Amapá. O objetivo principal é analisar a adaptação das populações ribeirinhas às mudanças climáticas e criar modelos de simulações para prever como cada mudança irá afetar a vida dessas pessoas. Assim, nós podemos saber se estas populações estão ou não preparadas para acompanhar essa realidade”, explica.

O professor e ecologista Miguel Pinedo-Vasquez, da Universidade de Columbia, ressalta a necessidade de investimentos em análises locais para compreensões globais. “A Amazônia é um grande laboratório para este tipo de estudo. A partir das adaptações que as populações destas comunidades estão realizando, nós podemos estender este modelo para outras áreas da região”, observa.

De acordo com Pinedo-Vasquez, resultados preliminares mostram que a maioria dos ribeirinhos está readequando suas práticas levando em consideração o nível das águas. Segundo o professor, quando concluído, o estudo poderá servir de base para adequação e implantação de políticas públicas ambientais.

 

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